Videolaparoscopia

Trata-se de uma moderna técnica cirúrgica que possibilita a abordagem da cavidade abdominal para a realização de diversos procedimentos cirúrgicos, através da introdução de uma ótica acoplada a uma microcâmera por uma incisão, quase sempre, na cicatriz umbilical e de mini-incisões na parede abdominal para a introdução do instrumental cirúrgico. Essas pequenas incisões geralmente são de 5 a 10 mm de tamanho. Para obter um bom campo cirúrgico, a cavidade abdominal é insuflada com gás carbônico através da primeira incisão (umbilical) por onde a ótica é introduzida.

Por estas características esta técnica é conhecida como minimamente invasiva e, atualmente, quase 100% das cirurgias ginecológicas podem ser abordadas através desta técnica, mesmo àquelas de grande complexidade.

A vídeolaparoscopia permite ao paciente um menor tempo de recuperação cirúrgica, com retorno mais precoce às suas atividades laborais. Através desta técnica temos ainda como resultados: menos dor no período pós-operatório, menor risco de infecção, menor perda sanguínea no período pré-operatório e melhor resultado estético.

Usos mais frequentes da videolaparoscopia:

Tumores de ovarianos

A videolaparoscopia há muito tempo já foi demonstrada como a melhor opção de abordagem terapêutica para os tumores ovarianos de características benignas que tem como indicação a sua retirada. Mesmo tumores de grandes dimensões podem ser abordados por esta técnica. Muitas vezes pode-se manter o órgão, realizando apenas a retirada do cisto ovariano, quando há um benefício claro para a paciente, a manutenção do ovário. Em outras situações, a retirada de todo o ovário (juntamente com o tumor) se faz necessária. Esta decisão vai variar de paciente para paciente, dependendo de diversos fatores que serão abordados durante a consulta médica.

Atualmente, mesmo os tumores de características malignas (câncer de ovário) já estão sendo abordados por via laparoscópica de maneira segura, mesmo quando se faz necessária a realização de cirurgias extensas.

Miomas

Apesar de ser um tumor benigno, acomete um terço das mulheres com mais de 35 anos e pode ser retirado, na maioria dos casos, através da videolaparoscopia, principalmente naquelas pacientes que desejam manter sua fertilidade.

Histerectomia (remoção de parte ou de todo o útero)

A histerectomia laparoscópica já é uma técnica padronizada e oferece uma recuperação mais rápida que a técnica abdominal (laparotômica), além de poder ser usada em casos em que a técnica vaginal não é indicada.

Endometriose

Atualmente o uso da laparoscopia para a realização das cirurgias citorredutoras (retirada de todos os focos visíveis da doença) têm se mostrado superior à técnica abdominal (laparotômica), uma vez que além de todos os benefícios descritos acima, permite a visualização da anatomia pélvico-abdominal de forma mais definida e precisa.

Infertilidade

Muitos casais sofrem com a dificuldade/incapacidade de gestação espontânea. Uma causa muito comum de infertilidade ocorre por alterações nas tubas uterinas. Desta forma, muitas vezes, através de procedimentos cirúrgicos, consegue-se restaurar a permeabilidade das tubas uterinas, com cirurgias para desobstrução tubária ou para recanalização (em pacientes que foram submetidas a laqueadura tubária previamente).

Oncologia Ginecológica

Assim como os tumores malignos de ovário (citados acima), outras formas de neoplasias malignas ovarianas estão sendo abordadas de maneira segura e eficaz por via laparoscópica. São os casos de câncer de endométrio, câncer de colo uterino (aqueles que têm indicação cirúrgica) e câncer de tuba uterina (extremamente raro e agressivo).