Dor Pélvica Crônica

A “patologia” dor pélvica crônica (DPC) é um assunto muito controverso na literatura médica, uma vez que sua definição diverge entre os autores. Pode envolver patologias de diversos sistemas diferentes, inclusive não-ginecológicos, podendo ter um envolvimento psicogênico, imunológico, endocrinológico, do sistema nervoso central e periférico, e/ou musculo-esquelético, ou seja, a DPC é uma entidade médica muito complexa, sendo considerada, atualmente, uma síndrome.

Basicamente, considera-se uma paciente portadora da síndrome de DPC, aquela que apresenta dor no andar inferior do abdome anterior (baixo ventre), abaixo da cicatriz umbilical, ou ainda, na parte das costas em região lombossacra (“pé das costas”). Essa dor tem uma duração maior que 6 meses, não tendo relação com o ciclo menstrual e leva a diversos graus de comprometimento das atividades diárias da mulher, com a necessidade de atendimento médico de emergência por diversas vezes.

Cerca de 20% das mulheres sofrem dessa síndrome durante a vida, principalmente no período reprodutivo. Porém, nem sempre sua causa seja ginecológica, e ainda, por diversas vezes não se consegue determinar uma causa para DPC, podendo ser de origem psicogênica, ou seja, sem uma causa orgânica. Quando de origem orgânica, as principais causas são: endometriose, adenomiose, leiomiomas, cistite intersticial (origem urológica) ou síndrome do cólon irritável (origem proctológica). Contudo, existem mais de 40 patologias que podem estar associadas à síndrome de DPC.

O diagnóstico da dor pélvica crônica começa com uma adequada e completa entrevista médica, para elucidar toda a história prévia da paciente, como por exemplo, a história obstétrica, passado cirúrgico, doenças coexistentes, etc. Após a história deve-se tentar caracterizar o mais detalhadamente possível a dor. Para isso, existem escalas e questionários específicos para ajudar o médico nesta caracterização exata da dor. Existem casos em que a dor pélvica pode ser resultado de alterações em mais de um órgão ou sistema, dificultando ainda mais o diagnóstico e tratamento.

Após a entrevista inicial, um exame físico minucioso é realizado e, este, em muitos casos, consegue diferenciar a origem da dor de acordo com o sistema acometido (ginecológico, urológico, neuronal, etc). Muitas vezes são necessários exames complementares, que irão variar de acordo com os achados na consulta médica, ou seja, os exames complementares são solicitados de acordo com a suspeição diagnóstica.

Na ginecologia, quando a DPC é de origem do sistema reprodutor feminino, muitas vezes são necessários tratamentos cirúrgicos e, ainda, por diversas vezes, além da cirurgia pode ser necessário acompanhamento regular da clínica da dor. Como citado acima, as principais causas ginecológicas para DPC são: endometriose, adenomiose e miomatose uterina, todas passíveis de tratamento cirúrgico minimamente invasivo, através de cirurgias laparoscópicas ou sua derivação a cirurgia por single-incision.