Os pólipos endometriais representam uma doença muito frequente na população feminina e causam sintomas inespecíficos. Na realidade, a maioria dos pólipos se apresenta de forma assintomática, como por exemplo, em mulheres no período pós-menopausa cerca de 75% dos casos não geram sintoma algum.

Esta doença se caracteriza por lesões em alto relevo na superfície interna do útero, contendo em sua superfície tecido semelhante àquele que recobre o endométrio. Por este motivo, estas lesões apresentam receptores hormonais e deveriam responder ao estímulo do estrogênio e da progesterona, assim como o endométrio, porém o que é visto é o oposto. Já foi demonstrado que os pólipos apresentam um pequeno número de receptores e tecido glandular imaturo, o que leva a uma não resposta aos hormônios do ciclo menstrual e uma não resposta ao tratamento hormonal.

A prevalência desta doença na população feminina varia na literatura, contudo, alguns estudos demonstram a presença de pólipos em até 25% das mulheres. É uma doença que acomete principalmente mulheres entre 40 e 50 anos de idade.

Como já foi dito, a maioria dos pólipos se apresenta de forma assintomática, sendo encontrados de forma acidental em exames ultrassonográficos. Entretanto, alguns sintomas, quando presentes, podem aumentar a suspeita desta doença. O sintoma mais comum é o sangramento uterino anormal, que pode se apresentar como: sangramentos entre os períodos menstruais ou perdas sanguíneas poucos dias após a menstruação, de coloração escura e aspecto em forma de muco. É possível, também, que o sangramento anormal devido à presença do pólipo se apresente como um aumento do fluxo e duração da menstruação.

Há uma grande relação da presença de pólipos com a infertilidade, sabe-se que o tamanho e localização destas lesões podem influenciar diretamente nesta questão, assim sendo, quanto maior o pólipo e de localização mais próxima aos óstios tubários, maior será a dificuldade em engravidar. Em pacientes que não conseguem engravidar por algum outro motivo qualquer, os pólipos estão associados em cerca de 30% das pacientes e, naquelas pacientes sem uma causa aparente de infertilidade os pólipos estão presentes em até 56% das mulheres.

Uma dúvida muito comum nas pacientes é sobre a possibilidade de um pólipo se transformar em câncer, ou seja, sofrer malignização. Os estudos atuais demonstram que há uma chance de aproximadamente 0,5% para ocorrer esse fenômeno.

O diagnóstico do pólipo pode ser feito por métodos de imagem. O mais utilizado é a ultrassonografia transvaginal, que é capaz de diagnosticar a doença em até 86% das pacientes que realmente apresentam a lesão. É um método não invasivo e de baixo custo. Contudo, o exame que consegue diagnosticar mais precisamente os pólipos é a vídeohisteroscopia.

A melhor forma de tratar o pólipo é através de sua remoção (polipectomia). Antigamente eram muito utilizadas a técnicas que não permitiam a visualização da cavidade uterina, como a curetagem uterina, entretanto, atualmente a técnica de polipectomia vídeo-histeroscópica apresenta resultados superiores quanto ao tratamento do sangramento uterino anormal e melhora das taxas de fertilidade.

  • Câncer
    Pólipo Endometrial
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    Pólipo Endometrial

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