Sangramento uterino anormal

O termo sangramento uterino anormal engloba uma série de patologias e/ou alterações hormonais femininas. Na realidade qualquer alteração no ciclo menstrual normal recebe o nome de “sangramento uterino anormal”. O ciclo menstrual normal de cada mulher pode variar entre ciclos mais longos e mais curtos, com uma duração média de 28 a 29 dias de duração, considerando-se o primeiro dia da menstruação com o primeiro dia. Uma variação considerada normal desta duração é de 7 dias, tanto para mais curto, quanto para mais longo, por exemplo, se uma mulher tem um ciclo menstrual que geralmente dura 28 dias, qualquer variação entre 21 a 35 dias é considerada normal.

Outra questão importante é a duração da menstruação, que em média dura de 3 a 5 dias, porém, a literatura médica define como normal qualquer duração compreendida entre 2 e 7 dias.

Desta forma, muitas pacientes chegam ao consultório médico achando que apresentam algum problema no ciclo menstrual, porém podem apenas possuir ciclos mais curtos ou longos, que não levam a nenhum prejuízo de sua saúde, como por exemplo, uma anemia.

Exemplos de sangramentos uterinos anormais são: menorragia, duração do período menstrual maior do que 7 dias ou com perda sanguínea maior que 80mL.; metrorragia, que é definida por sangramentos intermenstruais. Possivelmente podemos encontrar simultaneamente tanto um aumento no volume do sangramento quanto à presença de sangramentos intermenstruais, denominando-se menometrorragia. Há também alterações na duração de todo ciclo menstrual, que se diz alterado quando maior que 35 dias ou menor que 21 dias (para alguns autores, menor do que 24 dias).

Estima-se que cerca de 30% das mulheres na idade reprodutiva sofram com alterações do ciclo menstrual que consistem num sangramento anormal. Porém, o tratamento vai depender do diagnóstico de sua causa. Existe uma série de fatores que podem levar a esse sangramento, desde traumas genitais até tumores do sistema reprodutor feminino.

Quando a paciente chega ao seu ginecologista com essa queixa, é muito importante que seja colhida uma história detalhada, a fim de caracterizar o tipo menstrual. Deve ser realizado um exame físico minucioso e por fim, se necessário, devem ser solicitados exames complementares que possam ajudar a elucidar o motivo do sangramento uterino anormal.

Muito importante ressaltar, que nem todos os sangramentos vaginais sejam apenas de origem ginecológica. A paciente pode ser portadora de alguma coagulopatia (deficiência patológica na coagulação do sangue) e, por isso, ter um sangramento excessivo. Em algumas situações, a paciente pode estar apenas com uma infecção, que após tratada pode regularizar completamente o fluxo menstrual.

O papel da cirurgia minimamente invasiva nos casos de sangramento uterino anormal se limita ao tratamento das patologias passíveis de correção cirúrgica que sejam as causadoras do sangramento, como por exemplo: miomas, pólipos, adenomiose, tumores (quando ainda há possibilidade de tratamento cirúrgico), etc.

Por fim, muito importante lembrar, que nas pacientes em idade reprodutiva com vida sexual ativa, uma alteração do padrão menstrual ou a presença de um sangramento excessivo pode representar alguma alteração gestacional, devendo sempre ser excluída a gravidez (com suas complicações possíveis) como a sua causa.

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